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SAÚDE

A explosão dos alimentos proteicos: marketing ou eficaz?

Uma mulher de cabelo curto e óculos observa o rótulo de uma garrafa de leite no corredor de refrigerados de um supermercado.
A quantidade ideal varia conforme o nível de atividade física e o peso corporal (Foto: Adobe Stock)

Por Elizama Modesto

Jornalista por formação e apaixonada por contar boas histórias.

Publicação original no site www.webrun.com.br

Você já se deparou com a quantidade de produtos com a informação: 10g de proteína, 15 ou até mesmo 27g? Afinal, é marketing ou eficiência? O nutricionista Henrique Bento da Estima Nutrição. explica o que está por trás dessa tendência e como o consumidor pode se atentar ao comprar um produto.

O crescimento dos produtos proteicos não é coincidência. Para o especialista, a mudança veio junto com a cultura das redes sociais e a preocupação estética. “Os produtos enriquecidos com proteína cresceram muito porque deixou de ser vista como algo de atleta, de marombe, entre aspas, e passou a ser muito mais associada com saúde, emagrecimento, ganho de massa”, afirma Henrique. “A indústria percebeu que o alto em proteína virou um boom para a venda”.

O problema, segundo ele, é que a promessa nem sempre conversa com a realidade do rótulo. “A maior parte continua sendo ultraprocessado, com uma alta adição de açúcar, elevada em gordura, com vários aditivos, só que o destaque de ter proteína”, diz o nutricionista. “No fim, a proteína virou mais uma estratégia de marketing, porque hoje ela transmite a ideia de alimento saudável, fitness e de maior qualidade mesmo quando nem é tão equilibrado”.

Quanto de proteína cada pessoa realmente precisa?

A quantidade ideal varia conforme o nível de atividade física e o peso corporal. Henrique explica que pessoas sedentárias devem consumir entre 0,8 e 1 grama de proteína por quilo, enquanto quem pratica atividade moderada fica na faixa de 1,2 a 1,5 gramas. Já atletas ou pessoas com rotina intensa podem chegar a 2 ou 2,2 gramas por quilo.

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Consumir além do necessário não traz benefícios extras. “O excesso em si não faz mal, precisa entender que assim, o nosso corpo não vai utilizar toda essa proteína para um ganho de massa muscular, vai acabar sendo descartado”, esclarece.

Ainda assim, grupos específicos merecem atenção. “Em relação ao rim, a filtração vai aumentar, mas em pessoas saudáveis isso não vai ter um grande problema. Mas quem já tem uma doença renal, quem já teve um histórico de fazer uma pedra no rim, pode não ser tão interessante passar muito do limite de proteínas”, alerta Henrique.

Para fugir dos produtos que apenas parecem saudáveis, o nutricionista recomenda ir além do destaque de proteína na embalagem e analisar o alimento por completo. “A gente não tem que olhar só a quantidade de proteína, a gente tem que analisar o alimento como um todo”, orienta.

A lista de ingredientes é a chave. “A vista de ingredientes sempre vai ser do maior pro menor. Então sempre tem que ter um leite reconstituído, ou soro de leite, e evitar os alimentos que têm muito nomes estranhos, que são esses aditivos”, explica.

Além disso, ele recomenda verificar açúcar adicionado, gorduras e calorias antes de levar qualquer produto para o carrinho.

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