O termo kalopsia, grego, descreve a ilusão de enxergar as coisas como muito mais belas, grandiosas ou perfeitas do que realmente são. É uma distorção cognitiva que transforma o medíocre em sublime e o ordinário em excepcional. No cotidiano, o termo soa poético, mas, na arena pública brasileira, assume contornos de método, alicerçando a arte de fabricar percepções reluzentes para mascarar realidades bem ruins.
Em anos eleitorais, essa condição deixa de ser um fenômeno esporádico para se tornar o foco das campanhas. Sob o holofote da mídia e redes sociais, obras inacabadas ganham destaque, reformas superficiais são vendidas como revoluções e indicadores econômicos modestos são celebrados com a pompa de uma pedalada financeira. O marketing político atua como um canhão potente, projetando para o eleitor uma realidade idealizada que só existe no horário gratuito do rádio e TV e nos santinhos (impressos ou digitais).
O problema central dessa miragem contínua é o inevitável choque com a realidade. Enquanto os discursos pintam um cenário de prosperidade, a população segue enfrentando filas na saúde, transportes públicos precarizados e a decadência diária do poder de compra do Real. A kalopsia dos políticos cria um hiato perigoso entre a narrativa do poder e a experiência de quem vive a cidade.
A solução é a mesma de sempre: o voto consciente, que exige um olhar capaz de diferenciar a propaganda reluzente e os resultados concretos das políticas públicas. Em vez de se deixar enganar pelas miragens da vez, cabe ao eleitor agir como São Tomé.
Sob o holofote da mídia e redes sociais, obras inacabadas ganham destaque, reformas superficiais são vendidas como revoluções e indicadores econômicos modestos são celebrados com a pompa de uma pedalada financeira.






