Saiba por que a Raízen pediu recuperação extrajudicial
Maior processo do tipo no Brasil ocorre após prejuízos sucessivos e rebaixamento por agências de risco; endividamento foi impulsionado por investimentos em energia limpa
Joint venture entre Cosan e Shell tenta reestruturar passivo bilionário após ciclo de investimentos sem o retorno planejado
A Raízen, joint venture controlada pela brasileira Cosan e pela petroleira britânica Shell, fechou um acordo com credores para renegociar uma dívida de R$ 65,1 bilhões. O montante representa o maior pedido de recuperação extrajudicial por valor nominal da história da economia brasileira. A medida ocorre após a companhia enfrentar dificuldades para cumprir prazos e taxas de compromissos financeiros assumidos para expansão e novos projetos.
Nos últimos três balanços trimestrais, a empresa reportou um prejuízo acumulado de R$ 19,8 bilhões, acompanhado por uma queda na receita, que recuou de R$ 197,5 bilhões para R$ 174,5 bilhões no período. O endividamento líquido da companhia saltou de R$ 38,6 bilhões para R$ 55,3 bilhões em um ano, atingindo a marca de 5,3 vezes o seu lucro operacional (Ebitda).
O cenário financeiro da Raízen começou a dar sinais de desgaste em 2024, ano marcado pela troca de presidência e pelo início da venda de ativos não estratégicos. A crise foi agravada pelo alto investimento em plantas de etanol de segunda geração, que consumiram mais de R$ 11 bilhões, e pela incapacidade da sócia Cosan em acompanhar um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões proposto pela Shell. A holding brasileira teve sua capacidade financeira reduzida após adquirir 6,5% da mineradora Vale por cerca de R$ 20 bilhões.
EBITDA é um indicador financeiro que significa 'Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização' (em português, LAJIDA). Ele mede a capacidade de geração de caixa operacional de uma empresa, ignorando efeitos financeiros, tributários e contábeis. Essencial para avaliar a eficiência operacional pura e comparar empresas de um mesmo setor.
A deterioração do balanço levou as agências de risco Fitch, S&P Global e Moody’s a retirarem o grau de investimento da Raízen. Entre os motivos citados pelas agências estão a liquidez pressionada e a frustração quanto ao aporte de capital dos controladores. Com mais de 45 mil funcionários e uma rede de 8 mil postos sob a bandeira Shell, a Raízen agora busca estabilizar sua operação e honrar os compromissos com os 15 mil parceiros de negócios distribuídos pelo país.












