Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Jornal O Mirante
Jornal O Mirante

Buscar em Jornal O Mirante

PUBLICIDADE
Publicidade
OPINIÃO

EDITORIAL: O abismo econômico e social entre as cidades irmãs

A discrepância entre as realidades de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê é real e notória, vivida e vivenciada no dia a dia de cada cidadão dos dois municípios paulistas. Apesar da origem dos povoados que deram origem às cidades ser parecida, com imigrantes colonizando as terras na busca por um novo lar, o decorrer da história distanciou-as social e economicamente. Enquanto uma se ergueu na força da indústria ceramista e canavieira, a outra resumiu-se a servir de dormitório para os trabalhadores empregados do outro lado do rio. Enquanto a usina prosperava, a situação era controlada, mas bastou a mudança de mãos da empresa para que as consequências começassem a ser sentidas na pele igaraçuense.

O passivo social que ficou para Igaraçu do Tietê com a demissão de milhares de trabalhadores rurais demorou para ser equalizado, se é que já foi. Sem renda, muitas famílias acabaram partindo para o assistencialismo e passaram a depender demais do Poder Público. Isso numa época em que os benefícios sociais, como Bolsa Família e outros, ainda eram escassos. Sem contar o impacto na rede de saúde — aliás, essa é a que mais sofre em qualquer administração pública.

Soma-se a esse cenário de desemprego uma crise global que se agrava a cada ano, em especial nas últimas décadas, e a alta carga tributária que tritura os empresários de todos os tamanhos. O comércio não cresce, a indústria não aparece e a arrecadação municipal despenca. Tem mais: a divisão de recursos segue critérios como  Fundo de Participação dos Municípios, baseado na população local. E, na última contagem, praticamente todas as cidades viram essa fatia do bolo diminuir.

Publicidade
Publicidade
Essa diferença nas arrecadações explica como uma prefeitura consegue realizar e apoiar eventos culturais e turísticos, enquanto a outra luta para fechar o mês.

Tudo isso, além de outros incontáveis motivos, contribui para que Barra Bonita e Igaraçu do Tietê tenham um abismo social e econômico entre si. A previsão orçamentária para 2027 é discrepante, considerando a proximidade e a engrenagem comercial e industrial que move ambas e que depende da mão de obra igaraçuense para funcionar. A Cidade Simpatia deve arrecadar o dobro de dinheiro que a Mirante do Vale. Setores como saúde e educação recebem 100% a mais na Barra do que o valor investido em Igaraçu. Por outro lado, a diferença de população não segue a mesma proporção, pois o lado direito do Tietê possui 49,9% a mais de moradores que o lado esquerdo. Territorialmente falando, Barra é muito maior, possui mais vias públicas, bairros e instituições como escolas, departamentos. Mas não o dobro de Igaraçu, como ocorre com o orçamento.

Essa diferença nas arrecadações explica como uma prefeitura consegue realizar e apoiar eventos culturais e turísticos, enquanto a outra luta para fechar o mês. Se o recurso não entra, não tem como gastar. Aliás, quem adota essa postura responde diretamente na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Talvez exista algo que possa alterar essa situação, mas até agora não foi descoberto. Ou simplesmente não há nada a ser feito.

PUBLICIDADE
Publicidade

Leia também

Jornal O Mirante

Carregando…